Assinar com uma gravadora ainda é o sonho de uma boa parte dos músicos e como você pode ver, mesmo com a mudança que o mercado da música sofreu e continua sofrendo, elas não deixaram de existir. A diferença é que o modelo de negócios de uma empresa fonográfica não é o mesmo de 20 anos atrás. Como uma pessoa jurídica que precisa se manter viva, uma gravadora investe em ativos que possam lhe trazer retorno de forma comprovada e principalmente, projetos que demandem cada vez menos esforço financeiro e que demonstrem indicadores palpáveis de resultados.
O braço midiático e conexões com o mercado em torno de uma gravadora podem ser um combustível interessante para que o trabalho de um artista ganhe vantagens nessa caminhada. Se está em seus planos buscar assinar um contrato com uma “major”, vale a pena atentar a pelo menos 4 coisas:
1 – Construa sua própria audiência
Está buscando um contrato pra começar a ter milhares de fãs? Esqueça. Se você não puder oferecer isso, dificilmente despertará o interesse de alguém. Um dos ativos mais valorizados por gravadoras é a capacidade que o artista possui de mobilizar fãs, sem a ajuda de ninguém. Com a chagada da internet, as barreiras com o público alvo caíram e essa vantagem acabou se tornando um pré requisito para uma análise profissional. Com a matéria prima em mãos, ou seja, público, uma gravadora consegue escalar seu alcance de forma mais rápida e barata, em um mercado que já foi testado e não possui riscos, uma vez que você provou isso antes.
2 – Tenha perfil empreendedor
Não espere sentar diante do presidente de uma gravadora e receber facilmente um advance de milhões de reais pra gravar e promover seu disco. Já presenciei artistas que receberam como pagamento de um contrato “ter o nome da gravadora estampado no álbum”. O mercado despertou interesse pela sua música? Chegou um e-mail de uma grande gravadora pra uma conversa? Tenha perfil empreendedor e saiba que sua relação não será a de patrão-empregado, mas a de empresa-empresa. Sim, você é uma empresa e sua música o seu negócio.
Ciente disso, é preciso saber negociar e estabelecer uma relação de parceria, sempre. Valorize sua música, sua capacidade de gerar lucros e não mostre ter nenhuma dependência desta oportunidade. Você pode ganhar muitos pontos positivos com isso.
3 – Esteja apto a fazer concessões
É possível que uma gravadora queira interferir no seu projeto, caso se interesse em você. Se realmente é do seu interesse entrar nesta relação profissional, esteja apto a fazer concessões, a deixar que outros profissionais interfiram no seu trabalho. Claro, se o seu projeto independente está no caminho certo, construindo público e gerando renda, os possíveis “ajustes” propostos terão foco na escala desse projeto para a massa, ou, o seu nicho. Esteja pronto pra ouvir.
4 – Exija investimento em promoção e distribuição
Se o seu trabalho está em uma curva crescente, diga não à propostas que não garantam distribuição e promoção. Quando um artista está em crescimento, ele atrai organicamente público e consequentemente, oportunidades comerciais que vão desde a venda de produtos ao licenciamento de suas músicas. Um contrato com uma gravadora pode a colocar como beneficiária da receita de sua obra. Agora, isso vale a pena se a mesma não garante que irá expandir seu trabalho? Nunca. É o mesmo que manter um sanguessuga preso ao seu corpo.
Diga não e espere a oportunidade certa. Com certeza ela aparecerá. Do contrário, você já está no caminho, não depende de uma “label” pra tocar a sua música profissionalmente.
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