Se passaram 45 anos desde que os Beatles lançaram Abbey Road, o penúltimo disco inédito da banda. Mas, esse post não é sobre a indiscutível quase perfeição de produção, arranjos e composições do disco. Isso você pode ver em milhares de outros blogs e sites que levantam, com justiça, a bandeira da maior banda de todos os tempos. O que que quero abordar aqui é como nós, músicos, temos tanto a aprender com algo que aconteceu há tanto tempo.
O disco mostra com detalhes, características que hoje, vemos em pouquíssimos artistas. Vale a pena destacar que Abbey Road foi um dos últimos discos do quarteto antes de sua dissolução em 1970, ou seja, um registro de uma banda que estava no auge de sua carreira e nos brindou com os seguintes ensinamentos:
Ousadia
John, Paul, George e Ringo apresentaram ao mundo algo totalmente novo. Abbey Road não tinha referências, não estava baseado sequer no passado dos Beatles nem em algum artista em especial (como podemos ver no primeiro single da banda, Love me do). A ousadia em sair da inércia e mostrar algo totalmente novo, fez os caras inserirem conceitos que mais tarde influenciariam inúmeros movimentos, como o rock progressivo. Na época, a gravadora aconselhou o grupo a não ser tão radical com tantas novidades. É claro que eles não ouviram.Sem rótulos
Os Beatles nunca se rotularam. Os Beatles eram os Beatles, ponto. Hoje é comum você formar uma banda e já se autodominar um músico segmentado, uma banda de rock, pop. Dependendo de como se faz, isso é ruim. Ao não se rotular, os Beatles alcançaram a todos, não somente um público específico.
Eles tinham autoridade
John era radical em suas posições políticas e sociais. Paul e George, musicalmente, eram mestres em confundir a cabeça de quem estava acostumado a ouvir alguma coisa comum. Críticas, vaias, ameaças de morte (e até mesmo a morte de John) foram a paga por isso. Mas, isso fez com que os Beatles fossem ainda hoje, uma referência obrigatória para qualquer artista. Eles possuíam autoridade, eles se posicionavam como quem conhece muito bem o que faz. Eles geravam a conversa, não participavam de uma apenas. Eles influenciavam. Diferente do que vemos hoje, quando a maioria quer estar perto de quem faz algo bom, para aparecer mais, ter mais evidência na carona da fama dos outros. Poucos são os que cavam na rocha uma forma única de se posicionar e influenciar.
Eles conheciam seu público
Sabe por que os cabelos compridos e os gritos no início da carreira desses 4? Os Beatles sabiam que havia uma efervescência cultural prestes a explodir. Eles eram jovens, estavam no meio do seu público e captaram com rapidez a necessidade de haver alguém que se posicionasse do jeito que aquela juventude necessitava. Eles sabiam que tinham que fazer isso logo, pois mais pessoas estavam prestes a perceber isso também.
Nenhuma ação foi por acaso. Procure no Google, falas do empresário da banda (Brian Epstein). Elas fundamentam tudo o que escrevo. Hoje com a internet, é muito mais fácil saber quem é um potencial público para o seu trabalho, direcionar sua música a ele com uma velocidade infinitamente maior do que em 1960.
Enfim, ficaríamos aqui até amanhã enumerando o que aprendemos com os Beatles. Mas, o maior ensinamento que podemos reter é a raiz desse sucesso: Manter a essência do que se faz. Fazer música pelo que se gosta, acredita, ama é a maior dádiva que um músico pode receber e dar em sequência ao público.
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